
A técnica foi criada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e do Instituto Leônidas e Maria Deane, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Amazônia.
A estratégia funciona da seguinte forma: as fêmeas do Aedes Aegypti e Aedes Albopluctus, transmissores da doença, são atraídas para as chamadas estações de disseminação. "Essas estações consistem em pequenos baldes com água parada limpa, principal foco do mosquito", explica o biólogo Sérgio Luz, da Fiocruz Amazônia. "Elas servem como armadilhas atrativas para as fêmeas depositarem os ovos".
Luz conta que as paredes internas dos baldes são recobertas com um pano preto em que é aplicado um inseticida em pó, o pyriproxyfen, muito potente contra as larvas dos insetos. "Quando um mosquito adulto pousa na superfície da estação de disseminação, pequenas partículas do inseticida grudam em suas pernas e seu corpo."
"Depois de contaminados, os mosquitos carregam o inseticida e contaminam a água de outros criadouros, matando as larvas já depositadas", afirma o biólogo. Ele explica que o pyriproxyfen é um larvicida aprovado pela Organização Mundial da Saúde, atóxico para seres humanos e que ataca apenas as larvas dos mosquitos. "Por isso, os insetos contaminados continuam vivos e conseguem carregá-lo", diz. "As larvas desses mosquitos não atingem o estágio adulto, pois morrem entre 5 e 7 dias de formação.
O biólogo conta que, por um período de 20 meses (antes, durante e depois da colocação das estações de tratamento), foram monitorados cerca de 150 criadouros nos quais não havia sido aplicado inseticida. O crescimento até a fase adulta e a mortalidade das larvas nesses criadouros foram então calculados.
Segundo ele, os resultados obtidos são animadores: a mortalidade de larvas aumentou muito e o número de mosquitos adultos diminuiu de forma impressionante. "Antes de colocarmos em prática o método, havia uma mortalidade de no máximo, 10% das larvas dos mosquitos", diz. "Com execução da nova estratégia, a taxa de mortalidade das larvas foi superior a 90%."
Mas vale lembrar em lugares que não tem esses recursos podemos usar os métodos tradicionais para evitar a dengue e combater os focos de acúmulo de água, locais propicios para a criação do mosquito transmissor da doença. Para isso, é importante nao acumular água em latas, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixa d'agua, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, entre outros.
Fonte: CIÊNCIA UOL